domingo, 22 de setembro de 2013

A Ilusão da ascensão social em BLUE JASMINE ( 2013), de Woody Allen



Fui ver Blue Jasmine. Numa nota rápida, um filme duro sobre a grande ilusão da ascensão social e, claro, sobre a culpa  daqueles que transgridem uma determinada ordem moral. Atualizando a anti-heroína Blanche, de A Streetcar named Desire ( Tenessee Williams), W. Allen mostra que é exímio no storytelling, como sempre. Lembro-me, é claro, de Vigaristas de Bairro, filme em que o tema da ascensão social já aparecia, mas, citando o crítico da Vanity Fair, é bom ver Woddy Allen sair do seu bairro dourado de «eleitos» em Nova Iorque e estilhaçar a loiça toda com esta socialite que dá pelo nome de Jasmine (née Jeanette), interpretada de forma brilhante por Cate Blanchett. Com Jasmine, Allen regressa à tragédia de forma magistral. O filme é o final de uma história que, depois, nos é dada em flashback. Numa sociedade em que a ascensão não se constrói sobre a inocência, Jasmine saiu do nada e atingiu o topo. Perguntamo-nos até que ponto chegou o pacto que Jasmine fez com o diabo da fama e da riqueza. Completamente aristotélico, Allen dá-nos chaves para irmos percebendo a culpa trágica de Jasmine: aparentemente Jasmine não quer saber da ética e da moral para nada, mas também parece ignorar deliberadamente os «negócios» do marido para viver no seu planeta dourado em Nova Iorque. Perguntamo-nos: mas ela sabe ou não sabe das corrupções, das negociatas, das manobras mafiosas, dos jogos sujos?... Sabe, é o que Allen nos vai dizendo. Primeiro, porque arrastou a irmã e o cunhado (que queriam investir honestamente o dinheiro  numa empresa) para a estratosfera dos negócios de risco do marido, e Jasmine é a instigadora do processo. Depois porque, traída pelas várias amantes de Hal (que ela teima em ignorar), Jasmine só reclama vingança quando a coisa da vergonha se torna pública. O divórcio não a satisfaz, a  vigança materializa-se num telefonema para o FBI que leva rapidamente Hal à prisão e à morte. Jasmine sabe muito bem para quem devia telefonar para se vingar de Hal. Jasmine sabe das fraudes, sabe dos crimes, logo, foi cúmplice de tudo e, portanto, foi parcialmente culpada. Arrastada para a desgraça da falência até à loucura, nada a pode redimir. O encontro com o diplomata adia-lhe uma vez mais as ilusões de poder, mas a aparição operática do ex-cunhado fornece a estocada final para um desenlace brutal.
É interessante ver Allen aflorar a demência da cultura e sociedade atuais, desde a composição do retrato do gangster da banca e dos  «negócios» tóxicos ( Hal Francis interpretado por um Alec Baldwin perfeito para o papel) ao mundo horribilis da ambição e futilidade de um pretendente (Peter Sarsgaard no papel de Dwight Westlake) ao universo dos trepadores das modernas magistraturas políticas ( lideres partidários, diplomatas, políticos em ascensão e outros animais afins...). No fim, não resta nada, o real que fica é a loucura e a demência de Jasmine... um murro. Soberbo.
Fico à espera do próximo filme de Allen...

Fica o link para o artigo de crítica na Vanity Fair...http://www.vanityfair.com/online/daily/2013/07/movie-review-blue-jasmine-woody-allen

domingo, 15 de setembro de 2013

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Wagner 2013: celebrações na Catalunha

Na Catalunha são verdadeiros apreciadores de Richard Wagner. Eu direi que são wagnerianos furiosos, do melhor que há.
Veja-se um site de celebrações wagnerianas na Catalunha.

http://www.bicentenariwagner.cat/exposicions-1/wagner-i-arts/

Isolde de Fernand Khnopff

0119-c
Isolde, ca. 1905.
Dibuix/paper, 49 x 35 cm.
Galeria Patrick Derom, Brussel·le

O Ciclo Wagneriano de Mariano Fortuny na pintura


Um belíssimo Siegfried e as Filhas do Reno, de Mariano Fortuny.

O ciclo Wagneriano de Mariano Fortuny

Já aqui mostrei algumas pinturas do catalão Mariano Fortuny. Eis mais uma das obras do seu Ciclo Wagneriano, aqui as flores de Klingsor, de Parsifal.

Temas Wagnerianos na pintura: Tristão e Isolda, de Salvador Dali


Richard Wagner e a música de cinema

Divulgo mais um artigo do The Wagnerian. Wagner e a sua relação com a música de filmes... neste caso, o autor do blog divulga um interessante vídeo com uma conferênia sobre o assunto.

Video Lecture: How Richard Wagner Influnced Film Music

http://www.the-wagnerian.com/2013/05/video-lecture-how-richard-wagner.html

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Richard Wagner: O Homem e a Música

Mais um interessante artigo, desta vez do Chicago Tribune.

Richard Wagner: Separating the man from the music

http://articles.chicagotribune.com/2012-11-29/entertainment/ct-mov-1130-chicago-closeup-20121130_1_richard-wagner-19th-century-german-composer-music-lovers


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Richard Wagner na Pintura: o caso Mariano Fortuny

Mariano Fortuny (1838-1874) foi um genial pintor catalão fascinado por Richard Wagner. Viveu em Veneza e este ano a homenagem veneziana não podia falhar. A exposição fica aqui documentada:

http://artdaily.com/news/59417/Fortuny-and-Wagner-Wagnerism-in-the-visual-arts-in-Italy-opens-at-Palazzo-Fortuny-in-Venice#.UipSSX969I8
 http://fortuny.visitmuve.it/en/mostre-en/archivio-mostre-en/winter-at-palazzo-fortuny-fortuny-and-wagner-%E2%80%98wagnerism%E2%80%99-in-the-visual-arts-in-italy/2012/08/5165/project-3/


Wagner 2013

Mais imagens dispersas das celebrações wagnerianas um pouco por todo o mundo...

Wagner 2013

Imagens das celebrações wagnerianas em Dresden e Leipzig...

Celebrações wagnerianas 2013

Celebrações wagnerianas na bela cidade de Weimar. Um poster marcante... e, se quiserem, vão ao link:
http://www.weimar.de/tourismus/kultur-freizeit/hoehepunkte/kunstfest-weimar/programm-kunstfest/


Richard Wagner: Lohengrin




O tenor irlandês Joseph O'Mara  no papel de Lohengrin. Foto de 1894-5

DeMille: Os Dez Mandamentos (1956)

Charlton Heston no set de Os Dez Mandamentos (1956), de Cecil B. DeMille,  fotografado por Yul Brynner.


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

DeMille: Gloria Swanson em Male and Female (1919)

Uma das grandes beldades cinematográficas dos anos 20 foi lançada por Cecil B. DeMille. Eis a impressionante Gloria Swanson em Male and Female (1919)

DeMille: John Wayne e Paulette Godard em Reap the Wild Wind

Dois monstros das «imagens sagradas» do cinema: John Wayne e Paulette Godard em Reap the Wild Wind (1942), de Cecil B. DeMille. Glamour e mais glamour...

Cecil B.DeMille: um plano de Cleópatra

Não há dúvidas que Cleópatra (1934) de Cecil B. DeMille é um dos mais belos filmes da História do Cinema. Partilho um plano, inolvidável, da grande Claudette Colbert, que DeMille captou como ninguém.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Sopranos Wagnerianos: Régine Crespin

Richard Wagner: Rienzi /Kohler-Brenneis-Altmeyer-Linos /


É uma «histórica» e a transmissão não é das melhores. Mas vale a pena...

Cinema Francês: Detective (185), de Jean-Luc Godard.


A banda sonora é soberba. Um desfile de temas conhecidos...
Uma banda sonora que é uma experiência ( há excertos wagnerianos...) Adoro.
Vejam o filme, e leiam o artigo sobre o mesmo. Reparem no excerto:

  « Formal experimentation in Détective extends to the structure of the film itself. An obvious example can be noted in the way the credits don’t appear at the start or the end of the film but are, instead, interspersed throughout, contributing to the overall sense of disjunction and dislocation. But what is most striking about Détective are the experiments with the soundtrack. Détective is Godard’s first stereo film, and, with his collaborators, he takes the opportunity to play around with the music of Schubert, Wagner, Chopin, Liszt, Honegger, Chabrier, Ornette Coleman, and Jean Schwarz in surprising ways. There are times when the music functions emotionally, melodically, as it would in a genre film. But there are other times when the music is in the foreground, dominating the image, and creating a timbre and texture all of its own.»

Imperdível, hem?
http://sensesofcinema.com/2002/cteq/detective/

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Wagner na Pintura: Hermann Hendrich

O trabalho de Hermann Hendrich tem alguma divulgação no link seguinte. Vejam:
http://polarbearstale.blogspot.pt/2011/10/hermann-hendrich-1854-1931.html

Entretanto, eis outra versão do pintor sobre a mais célebre cavalgada de todos os tempos: A Cavalgada das Valquírias.


Wagner na Pintura: Hermann Hendrich


Mais duas belíssimas imagens do imaginário do pintor Hermann Hendrich: O jardim de Freya e O Ouro do Reno, de cerca de 1906

Wagner na Pintura: Hermann Hendrich (1854-1931)


                                   Hermann Hendrich, Cavalgada das Valquírias, 1906

Sobre Hermann Hendrich (1854-1931) , um pintor que se converteu às imagens wagnerianas depois de assistir a uma ópera do mestre, ver:
 http://en.wikipedia.org/wiki/Hermann_Hendrich


segunda-feira, 2 de setembro de 2013