Colecção de posters da Paramount Pictures
Blogue dedicado a Richard Wagner, a Cecil B. DeMille, a Tolkien, à 7.ª Arte e a outras coisas de cultura, editado por Elsa Mendes desde 15 de Abril de 2010
quarta-feira, 19 de maio de 2010
DeMille e A História do Dr. Wassel
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Wagner e Veneza
Nos últimos anos de vida, Wagner adquiriu o hábito de ir passar os seus invernos na Itália, porque tinha dificuldade em lidar com o frio. Em Setembro de 1882, deixou Bayreuth pela última vez e foi para Veneza com a mulher e os filhos, instalando-se no Palazzo Vendramin ( já publiquei uma foto do palácio no blog), no Grande Canal, então propriedade do Duque della Grazia. A família Wagner ocupou uma suíte de dezoito aposentos, que foi decorada de forma magnífica. Wagner recebeu extraordinárias visitas nesses seus últimos dias: Liszt, o maestro judeu Hermann Levi (o primeiro a reger Parsifal), o pianista judeu Joseph Rubinstein (assistente musical de Wagner desde 1872), o pintor judeu Paul Jukovsky — durante toda a sua vida Wagner partilhou sempre a amizade de judeus — e ainda o compositor Engelbert Humperdinck. Como de costume, Wagner e Cosima passavam longos dias a ler os seus autores de eleição: Shakespeare, Goethe, Schiller e Calderón de la Barca. Às vezes Wagner tocava Bach ao piano .
Na última visita que fez a Wagner, a 13 de janeiro de 1883, Liszt tocou uma peça que compôs de improviso, La Gondole Lugubre. Numa espécie de premonição, a peça representava a procissão de uma gôndola fúnebre pelos canais de Veneza e, exaxtamente um mês mais tarde, em 13 de Fevereiro, Wagner morreu subitamente de um ataque cardíaco, nos braços de Cosima e cercado pelos filhos. O seu funeral foi realizado em Bayreuth.
domingo, 16 de maio de 2010
De Mille e a História
Imagens de: North West Mounted Police, Reap de Wild Wind e Union Pacific ( actores da esquerda para a direita: Robert Preston, Paulette Goddard, Gary Cooper, P. Goddard e John Wayne, Barbara Stanwick e Joel Mcrea)
A partir de 1939, dizia-se que na América dos anos trinta se tinha reconquistado prosperidade sem grandeza, e saúde sem sentido de destino. Era, portanto, preciso ir buscar ao passado norte-americano o sentido faltava. DeMille investigou a história norte-americana e realizou uma série de filmes notáveis: The Plainsman (1936), passado no final da Guerra Civil, The Buccaneer (1938), passado durante a Guerra de 1812 com Inglaterra, onde se conta a história do pirata J. Lafitte, Union Pacific (1939), sobre a chegada do caminho-de-ferro à California, North West Mounted Police (1940), passado na fronteira com o Canadá em finais do século XIX, Reap the Wild Wind (1942), sobre o negócio dos cargueiros no Atlântico em meados do século XIX, The Story of Dr. Wassel (1944), sobre a presença norte-americana no Sudeste Asiático durante a 2.ª Guerra Mundial – inteiramente contemporâneo – e Unconquered (1947), passado na Virgínia, no século XVIII. Trata-se de um verdadeiro corpus para uma investigação sobre representações da história norte-americana. Depois do passado longínquo, DeMille regressou aos founding fathers, os pioneiros norte-americanos , assumindo em pleno o significado ideológico do título da célebre obra de F. J. Turner, The Significance of the Frontier in American History, publicado em 1893. A nação americana assumia-se em terras de fronteira e esse era o grande tema de DeMille. Ao mesmo tempo, o realizador assumiu também o ponto de vista de que parece nunca ter abdicado: o de contar a história fundadora da nação norte-americana como a da instauração de uma moral. Nesse sentido, Sansão e Dalila e Os Dez Mandamentos, projectando de múltiplas formas o filão moralizador, vão aparecer como obras-primas, excessivas, obras de arte totais que unificaram esta visão de forma exemplar.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Nietzsche contra Wagner
Hoje vou deixar aqui uma citação de Nietzsche, retirada da sua obra Nietzsche contra Wagner , escrita entre 1888-1889 e publicada em 1895. É uma citação que precisa de ser bem contextualizada na evolução do caso Wagner-Nietzsche, mas deixo-a aqui como provocação para que façam comentários à vontade.
Ei-la:
«Quando uma pessoa vai a Bayreuth, deixa-se a si mesma em casa, renuncia ao direito de ter uma voz e uma opção próprias, ao seu gosto, até à sua coragem, tal como a gente tem e exerce, entre as suas próprias quatro paredes, em relação a Deus e ao mundo. Para o teatro ninguém leva consigo os sentidos mais refinados da sua arte,muito menos o artista que trabalha para o teatro - falta solidão, tudo o que é perfeito não suporta testemunhas... No teatro passa-se a ser povo, rebanho, fêmea, fariseu, massa eleitora ignara , padroeiro, idiota - wagneriano: aí, até mesmo a consciência mais pessoal sucumbe ao encanto nivelador do grande número, aí reina o próximo, aí passa-se a ser próximo...»
Alguém quer comentar as palavras do grande filósofo?
quinta-feira, 13 de maio de 2010
O «camp» em Sansão e Dalila
Victor Mature e Hedy Lamarr em Sansão e Dalila
Hoje, em tolerância de ponto, dedico um bocadinho do meu tempo a DeMille e volto ao genial filme de 1949, Sansão e Dalila. O sucesso de Sansão e Dalila foi retumbante na sua época e as principais produtoras colocaram logo nos seus calendários a produção de um filme bíblico . O filme marcava a irrupção de símbolos corporais tão fortes que o papel e o visual de Victor Mature se constituiu como referente longínquo de todo um género de filmes que fizeram sucesso décadas mais tarde: as séries Rambo e as séries dos super-heróis, nos anos 70 e 80 filiam-se em boa parte em Sansão e Dalila. Não é excessivo afirmar que o desempenho de Mature em Sansão e Dalila o transformou num objecto excessivo e artificial tão marcante que, como se sabe, não passou despercebido a Susan Sontag. Ao referir-se à «exaggerated he-man-ness» de Sansão, Sontag viu nele um exemplo acabado de camp.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Pensamentos - Wagner
Hoje não há texto, mas resolvi divulgar três pensamentos de Richard Wagner.
Ei-los:
« A imaginação cria a realidade.»
«Escrevo música com um ponto de exclamação!»
« Nunca olhem para os trombones, isso só os encoraja.»
Richard e Cosima Wagner com Liszt e Hans v. Wolzogen no "Wahnfried" em 1880.
W. Beckmann, ca 1880
Ei-los:
« A imaginação cria a realidade.»
«Escrevo música com um ponto de exclamação!»
« Nunca olhem para os trombones, isso só os encoraja.»
Richard e Cosima Wagner com Liszt e Hans v. Wolzogen no "Wahnfried" em 1880.
W. Beckmann, ca 1880
domingo, 9 de maio de 2010
Wagner e Veneza
«Uma noite sem sono, em Veneza, pus-me à minha varanda por cima do Grande Canal: a cidade mágica de lagunas estendia-se na escuridão perante mim como que num sonho profundo. Então, no grande silêncio, elevou-se, potente, o apelo plangente e rouco de um gondoleiro que acabava de erguer-se no seu barco; várias vezes ainda ele se lançou na noite, até que, lá bem longe, na extensão do canal nocturno, o mesmo apelo lhe respondeu: eu reconheço a velha frase melódica tão pesada de tristeza sobre a qual já Tasso tinha escrito os conhecidos versos, mas que data seguramente de tão longe como os canais e a população de Veneza» In: Beethoven, de Richard Wagner
Ca' Vendramin Calergi ( casa de Wagner em Veneza, hoje um casino municipal)
sábado, 8 de maio de 2010
Wagner e o Teatro
Tannhauser e Vénus, Sandor Mayer Liezen, 1875
Wagner e o Teatro Grego
Delfos, Teatro
«O drama grego, entendido como obra de arte perfeita, era a síntese de tudo o que na essência grega havia de representável. Era a própria nação grega que, em íntima ligação com sua História, se confrontava consigo mesma na apresentação da obra de arte, se apreendia e, por assim dizer, se alimentava de si mesma com o mais elevado prazer durante aquelas escassas horas.» Richard Wagner, A Arte e a RevoluçãoPara Richard Wagner, a arte grega representaria o completo oposto da ópera moderna, submissa a Mercúrio, o deus dos comerciantes e símbolo “estético” característico de uma sociedade baseada no lucro. Segundo Wagner, os gregos teriam desenvolvido uma cultura onde a arte estaria no centro da vida social, desenvolvendo-se a cultura artística grega em toda sua plenitude porque teria sido ao mesmo tempo a construção da própria comunidade grega como expressão da pólis.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
As encenações de Otto Schenk
O Metropolitan habituou-se a ter, como muitos teatros, produções wagnerianas modernísticas. Mas a reposição, em 2009, do Anel do Nibelungo com encenação do vienense Otto Schenk, causou uma tremenda ovação. Schenk é um mestre em produções old fashioned, e a sua interpretação da Tetralogia foi introduzida em 1987, dando origem a uma produção completa do Ring no Met.
Em 2009, os norte-americanos decidiram-se pela reposição desta versão de culto, antes de, em 2010, introduzirem um novo Ring, desta feita com encenação do director canadiano Robert Lepage. Foi, portanto, a última oportunidade ver o Schenk Ring ao vivo, depois de uma década em que se tem visto de tudo: Ring's da era industrial, Ring's sci-fi, Ring's abstractos, Ring's jungianos. Nesse contexto, a encenação de Schenk tem sido considerada a mais fiel às concepções wagnerianas, num trabalho em que Schenk foi coadjuvado pelo projection designer Günther Schneider-Siemssen, e pelo costume designer, Rolf Langenfass, proporcionando uma recriação riquíssima, neo-romântica, inspirada em desenhos para uma encenação de 1897 feita para ser realizada em Bayreuth, a matriz de todos os «Anéis» do Nibelungo...
Em 2009, os norte-americanos decidiram-se pela reposição desta versão de culto, antes de, em 2010, introduzirem um novo Ring, desta feita com encenação do director canadiano Robert Lepage. Foi, portanto, a última oportunidade ver o Schenk Ring ao vivo, depois de uma década em que se tem visto de tudo: Ring's da era industrial, Ring's sci-fi, Ring's abstractos, Ring's jungianos. Nesse contexto, a encenação de Schenk tem sido considerada a mais fiel às concepções wagnerianas, num trabalho em que Schenk foi coadjuvado pelo projection designer Günther Schneider-Siemssen, e pelo costume designer, Rolf Langenfass, proporcionando uma recriação riquíssima, neo-romântica, inspirada em desenhos para uma encenação de 1897 feita para ser realizada em Bayreuth, a matriz de todos os «Anéis» do Nibelungo...
Rheingold, Metropolitan, encenação de Otto Schenk
As encenações de Otto Schenk
Hoje dedico um bocadinho ao actor , director e encenador austríaco Otto Schenk, nascido em Viena em 1930.
Ouvimos um pedaço de Siegfried, produção do Met, 1990, Direcção musical de James Levine, encenação de Schenk, com Siegfried Jerusalem no papel de Siegfried ( claro!) e James Morris como Wotan.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
As encenações de Nikolaus Lehnhoff
Uma grande versão de Parsifal foi esta realizada no Festival de Baden Baden, em 2004. Alguns nomes de referência: Kent Nagano na direcção musical, Thomas Hampson no papel de Amfortas, Waltraud Meier no de Kundry, e Christopher Ventris em Parsifal. Matti Salminen foi Gurnemanz. A encenação foi de Nikolaus Lehnhoff. Enfim, 5 estrelas... foi uma produção gravada ao vivo e a crítica considerou-a um marco na moderna encenação wagneriana.
Disse Friedrich Hölderlin( Lauffen am Neckar, 20 de março de 1770 — Tübingen, 7 de junho de 1843), poeta lírico e romancista alemão:
« A feliz unidade, o Ser, no sentido singular da palavra, está perdido para nós(...) dissociámo-nos da natureza, e aquilo que outrora (...) era Uno, está agora em desacordo consigo, e domínio e sujeição alternam entre os dois lados»
Esta matéria é a de Rheingold , prólogo de O Anel do Nibelungo.
Encenação de Rheingold , Joaquim Shamberger, para a Indianapolis Opera.
« A feliz unidade, o Ser, no sentido singular da palavra, está perdido para nós(...) dissociámo-nos da natureza, e aquilo que outrora (...) era Uno, está agora em desacordo consigo, e domínio e sujeição alternam entre os dois lados»
Esta matéria é a de Rheingold , prólogo de O Anel do Nibelungo.
Encenação de Rheingold , Joaquim Shamberger, para a Indianapolis Opera.
terça-feira, 4 de maio de 2010
Cecile B. Demille 1956
Algumas imagenzinhas que não conhecia de Cecil B. DeMille... é coisa pouca, mas merece um post...
As encenações de Peter Konwitschny
Peter Konwitschny é um dos nomes de referência do panorama da encenação operática actual. A sua carreira conheceu consagração internacional alargada após a queda do Muro de Berlim e, embora tenha sido várias vezes premiado, o seu nome também se encontra associado a algumas das polémicas do costume em matéria de encenação que, quando tiver oporunidade, comentarei aqui. A partir dos anos 90, começou a encenar Wagner: Parsifal (1995, Opera Estatal da Baviera), Tannhäuser (1997, Dresden Semperoper), Lohengrin (1998, Ópera Estatal de Hamburg ), Tristan und Isolde (1998, Opera Estatal da Baviera), e um aplaudido Götterdämmerung (2000, Ópera Estatal de Stuttgart). Voltou a Hamburg onde dirigiu Os Mestres Cantores de Nuremberga e, em 2004 dirigiu Der fliegende Holländer , de Wagner, no Bolshoi em Moscow. Desde Agosto de 2008 Peter Konwitschny é o director principal da Leipzig Opera. Em Portugal, encenou La Bohème em S. Carlos e vamos tê-lo a encenar Eugene Onegin, de Tchaikowsky, em Junho. Há uma certa expectativa no ar... deixo-vos aqui com uma imagem de uma célebre encenação que Konwitschny realizou de Lohengrin e, os puristas que perdoem ao encenador e a mim que estou a publicar o post, tudo se passava numa sala de aula...
sábado, 1 de maio de 2010
As encenações de Stefan Herheim
Stefan Herheim Clip de Tannhäuser, Oslo
Hoje há mais um pequeno comentário a encenações wagnerianas: ultimamente tem-se falado muito de Stefan Herheim, um encenador norueguês ( com origens germânicas), de 40 anos, que tem vindo a proporcionar uma grande revisão na encenação das óperas de Wagner. As suas desconstruções têm dado que falar: em Bayreuth, 2008, fez um Parsifal que foi muito gabado, embora controverso. Depois, falou-se muito no Lohengrin que fez com Daniel Barenboim, em Berlim, 2009. Mais recentemente apresentou um Tannhäuser surpreendente em Oslo. É um nome a seguir com atenção: segundo apurei da leitura do Guardian, o Covent Garden devia pôr o olho nele para o contratar...http://www.guardian.co.uk/music/2010/apr/29/stefan-herheim-wagner-opera
Victor Mature em «Sansão e Dalila»
Hoje continuo a comentar Sansão e Dalila, desta vez a paropósito de Victor Mature. No filme Sansão e Dalila; Cecil B. DeMille assumiu mostrar representações do corpo masculino. A imagem de Sansão como estereotipo dessa opção apresentava-se de forma incisiva, remetendo para os padrões de masculinidade da época e bebendo assumidamente em representações pictóricas anteriores do tema de Sansão, onde essa componente estava quase invariavelmente presente: Rembrandt, Rubens, Solomon e Doré. DeMille e a produção do filme resolveram evidenciar esse aspecto de tal forma que fosse ao encontro do gosto de um público vasto e mais jovem do pós guerra, e de tal forma que pudesse render bem. Victor Mature (1913-1999), de grande porte físico, destacou-se nesta vertente e salientou-se como actor principalmente após a 2.ª Guerra Mundial. Os papéis em Paixão dos Fortes, de John Ford, em 1946, e O Beijo da Morte, de Henry Hathaway, foram os seus trabalhos mais consagrados. Em 1949 foi contratado para o papel principal de Sansão e Dalila e, posteriormente, desempenhou papéis do género em vários filmes: A Túnica, de Henry Koster, em 1953; Demétrius o Gladiador, de Delmer Daves, em 1954; O Egípcio, de Michael Curtiz, em 1954. Até ao aparecimento de Charlton Heston, Mature foi indubitavelmente a estrela dominante dos filmes épicos e bíblico que vigoravam em Hollywood.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Hot iron in "The Cheat "
Em 1915 Cecil B.DeMille realizou um filme que é um prodígio de modernidade: The Cheat, com Fannie Ward e Sessue Hayakawa. Veja-se um excerto de uma das cenas mais impressionantes.
Geraldine Farrar em Carmen (1915), de Cecil B. DeMille
Geraldine Farrar canta Carmen. Imagens do filme Carmen (1915), de Cecil B. DeMille. É uma relíquia, acreditem!
terça-feira, 27 de abril de 2010
Hedy Lamarr em Sansão e Dalila (1949), Cecil B. DeMille

Hedy Lamarr nasceu em Viena (1913) e morreu nos EUA ( 2000). Filha de judeus, foi também engenheira e naturalizou-se americana. Foi estrela da MGM até 1945 e, em 1949, representou Dalila na gigantesca produção da Paramount Pictures, Sansão e Dalila , sob direcção de Cecil B. DeMille.
Como muitas Dalilas antes dela, trata-se de uma recriação complexa e cuidada ( a direcção artística da Paramount era extremamente exigente, com direcção do alemão Hans Dreier; o guarda-roupa esteve a cargo da grande estilista norte-americana Edith Head, a soberba fotografia a cargo de George Barnes)
DeMille deixou testemunhos de que, embora baseando-se em representações pictóricas anteriores ( cita Rembrandt, Rubens, Solomon e Doré, entre outros), pretendia uma Dalila com um toque de Jean Simons, Lana Turner e Vivien Leigh, acabando por achar esses ingredientes numa estrela estrangeira, detentora de um toque europeu e conotada com o noir movie: Hedy Lamarr.
De Hedy Lamarr, disse George Sanders, que contracenou com ela em Sansão e Dalila: "When she spoke, one did not listen, one just watched her mouth moving and marvelled at the exquisite shapes made by her lips." http://www.guardian.co.uk/film/2009/dec/22/hedy-lamarr-screen-legend
De Hedy Lamarr, disse George Sanders, que contracenou com ela em Sansão e Dalila: "When she spoke, one did not listen, one just watched her mouth moving and marvelled at the exquisite shapes made by her lips." http://www.guardian.co.uk/film/2009/dec/22/hedy-lamarr-screen-legend
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