Blogue dedicado a Richard Wagner, a Cecil B. DeMille, a Tolkien, à 7.ª Arte e a outras coisas de cultura, editado por Elsa Mendes desde 15 de Abril de 2010
quarta-feira, 5 de maio de 2010
As encenações de Nikolaus Lehnhoff
Uma grande versão de Parsifal foi esta realizada no Festival de Baden Baden, em 2004. Alguns nomes de referência: Kent Nagano na direcção musical, Thomas Hampson no papel de Amfortas, Waltraud Meier no de Kundry, e Christopher Ventris em Parsifal. Matti Salminen foi Gurnemanz. A encenação foi de Nikolaus Lehnhoff. Enfim, 5 estrelas... foi uma produção gravada ao vivo e a crítica considerou-a um marco na moderna encenação wagneriana.
Disse Friedrich Hölderlin( Lauffen am Neckar, 20 de março de 1770 — Tübingen, 7 de junho de 1843), poeta lírico e romancista alemão:
« A feliz unidade, o Ser, no sentido singular da palavra, está perdido para nós(...) dissociámo-nos da natureza, e aquilo que outrora (...) era Uno, está agora em desacordo consigo, e domínio e sujeição alternam entre os dois lados»
Esta matéria é a de Rheingold , prólogo de O Anel do Nibelungo.
Encenação de Rheingold , Joaquim Shamberger, para a Indianapolis Opera.
« A feliz unidade, o Ser, no sentido singular da palavra, está perdido para nós(...) dissociámo-nos da natureza, e aquilo que outrora (...) era Uno, está agora em desacordo consigo, e domínio e sujeição alternam entre os dois lados»
Esta matéria é a de Rheingold , prólogo de O Anel do Nibelungo.
Encenação de Rheingold , Joaquim Shamberger, para a Indianapolis Opera.
terça-feira, 4 de maio de 2010
Cecile B. Demille 1956
Algumas imagenzinhas que não conhecia de Cecil B. DeMille... é coisa pouca, mas merece um post...
As encenações de Peter Konwitschny
Peter Konwitschny é um dos nomes de referência do panorama da encenação operática actual. A sua carreira conheceu consagração internacional alargada após a queda do Muro de Berlim e, embora tenha sido várias vezes premiado, o seu nome também se encontra associado a algumas das polémicas do costume em matéria de encenação que, quando tiver oporunidade, comentarei aqui. A partir dos anos 90, começou a encenar Wagner: Parsifal (1995, Opera Estatal da Baviera), Tannhäuser (1997, Dresden Semperoper), Lohengrin (1998, Ópera Estatal de Hamburg ), Tristan und Isolde (1998, Opera Estatal da Baviera), e um aplaudido Götterdämmerung (2000, Ópera Estatal de Stuttgart). Voltou a Hamburg onde dirigiu Os Mestres Cantores de Nuremberga e, em 2004 dirigiu Der fliegende Holländer , de Wagner, no Bolshoi em Moscow. Desde Agosto de 2008 Peter Konwitschny é o director principal da Leipzig Opera. Em Portugal, encenou La Bohème em S. Carlos e vamos tê-lo a encenar Eugene Onegin, de Tchaikowsky, em Junho. Há uma certa expectativa no ar... deixo-vos aqui com uma imagem de uma célebre encenação que Konwitschny realizou de Lohengrin e, os puristas que perdoem ao encenador e a mim que estou a publicar o post, tudo se passava numa sala de aula...
sábado, 1 de maio de 2010
As encenações de Stefan Herheim
Stefan Herheim Clip de Tannhäuser, Oslo
Hoje há mais um pequeno comentário a encenações wagnerianas: ultimamente tem-se falado muito de Stefan Herheim, um encenador norueguês ( com origens germânicas), de 40 anos, que tem vindo a proporcionar uma grande revisão na encenação das óperas de Wagner. As suas desconstruções têm dado que falar: em Bayreuth, 2008, fez um Parsifal que foi muito gabado, embora controverso. Depois, falou-se muito no Lohengrin que fez com Daniel Barenboim, em Berlim, 2009. Mais recentemente apresentou um Tannhäuser surpreendente em Oslo. É um nome a seguir com atenção: segundo apurei da leitura do Guardian, o Covent Garden devia pôr o olho nele para o contratar...http://www.guardian.co.uk/music/2010/apr/29/stefan-herheim-wagner-opera
Victor Mature em «Sansão e Dalila»
Hoje continuo a comentar Sansão e Dalila, desta vez a paropósito de Victor Mature. No filme Sansão e Dalila; Cecil B. DeMille assumiu mostrar representações do corpo masculino. A imagem de Sansão como estereotipo dessa opção apresentava-se de forma incisiva, remetendo para os padrões de masculinidade da época e bebendo assumidamente em representações pictóricas anteriores do tema de Sansão, onde essa componente estava quase invariavelmente presente: Rembrandt, Rubens, Solomon e Doré. DeMille e a produção do filme resolveram evidenciar esse aspecto de tal forma que fosse ao encontro do gosto de um público vasto e mais jovem do pós guerra, e de tal forma que pudesse render bem. Victor Mature (1913-1999), de grande porte físico, destacou-se nesta vertente e salientou-se como actor principalmente após a 2.ª Guerra Mundial. Os papéis em Paixão dos Fortes, de John Ford, em 1946, e O Beijo da Morte, de Henry Hathaway, foram os seus trabalhos mais consagrados. Em 1949 foi contratado para o papel principal de Sansão e Dalila e, posteriormente, desempenhou papéis do género em vários filmes: A Túnica, de Henry Koster, em 1953; Demétrius o Gladiador, de Delmer Daves, em 1954; O Egípcio, de Michael Curtiz, em 1954. Até ao aparecimento de Charlton Heston, Mature foi indubitavelmente a estrela dominante dos filmes épicos e bíblico que vigoravam em Hollywood.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Hot iron in "The Cheat "
Em 1915 Cecil B.DeMille realizou um filme que é um prodígio de modernidade: The Cheat, com Fannie Ward e Sessue Hayakawa. Veja-se um excerto de uma das cenas mais impressionantes.
Geraldine Farrar em Carmen (1915), de Cecil B. DeMille
Geraldine Farrar canta Carmen. Imagens do filme Carmen (1915), de Cecil B. DeMille. É uma relíquia, acreditem!
terça-feira, 27 de abril de 2010
Hedy Lamarr em Sansão e Dalila (1949), Cecil B. DeMille

Hedy Lamarr nasceu em Viena (1913) e morreu nos EUA ( 2000). Filha de judeus, foi também engenheira e naturalizou-se americana. Foi estrela da MGM até 1945 e, em 1949, representou Dalila na gigantesca produção da Paramount Pictures, Sansão e Dalila , sob direcção de Cecil B. DeMille.
Como muitas Dalilas antes dela, trata-se de uma recriação complexa e cuidada ( a direcção artística da Paramount era extremamente exigente, com direcção do alemão Hans Dreier; o guarda-roupa esteve a cargo da grande estilista norte-americana Edith Head, a soberba fotografia a cargo de George Barnes)
DeMille deixou testemunhos de que, embora baseando-se em representações pictóricas anteriores ( cita Rembrandt, Rubens, Solomon e Doré, entre outros), pretendia uma Dalila com um toque de Jean Simons, Lana Turner e Vivien Leigh, acabando por achar esses ingredientes numa estrela estrangeira, detentora de um toque europeu e conotada com o noir movie: Hedy Lamarr.
De Hedy Lamarr, disse George Sanders, que contracenou com ela em Sansão e Dalila: "When she spoke, one did not listen, one just watched her mouth moving and marvelled at the exquisite shapes made by her lips." http://www.guardian.co.uk/film/2009/dec/22/hedy-lamarr-screen-legend
De Hedy Lamarr, disse George Sanders, que contracenou com ela em Sansão e Dalila: "When she spoke, one did not listen, one just watched her mouth moving and marvelled at the exquisite shapes made by her lips." http://www.guardian.co.uk/film/2009/dec/22/hedy-lamarr-screen-legend
Renee Fleming, C F Händel: Let the bright Seraphim
A Oratória Samson, de Georg Friedrich Haendel, estreou em Londres em 1743, com base num libretto de Hamilton, por sua vez baseado na obra de Milton Samson Agonistes. Uma das árias mais celebradas é Let the bright Seraphim, aqui interpretada por Renee Fleming.


Hoje regresso a Sansão e Dalila, de Cecil B. DeMille. Dalila é uma criação literária que penetrou na cultura ocidental como poucas, sofrendo todo o tipo de interpolações e alcançando uma fama extraordinária na cultura popular: muito antes de Cecil B. DeMille, o tempo e o imaginário construiram longamente a representação de Dalila, desde que a sua figura apareceu representada numa igreja românica em França. De Mantegna a Morone ou Rembrandt, Doré ou Solomon, tudo se lhe acrescentou. E não podemos esquecer as recriações extraordinárias que resultaram na oratória Sansão, de Haendel, ou na ópera Sansão e Dalila, de C. Saint-Saens. Deixo aqui algumas imagens e momentos musicais que espero que gostem...
Em cima, Sansão e Dalila, do virtuoso Andrea Mantegna( Vicenza, 1431-Mântua 1506), pintor do Veneto. Mantegna introduziu vários símbolos na pintura que não se encontram no relato bíblico: a videira, a fonte, o ramo cortado, que permitem o estabelecimento de ligações com outras passagens bíblicas.
Mais acima, Sansão e Dalila, do veronês Francesco Morone ( 1471-1529) - o autor foi mais fiel ao relato bíblico, e retirou à narrativa qualquer dramaticidade adicional. Dalila, tal como a paisagem, apresenta um semblante harmonioso.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
domingo, 25 de abril de 2010
Zubin Mehta e o Anel de Valencia
Zubin Mehta nasceu em Bombaim em 29 de Abril de 1936. Nos anos 90 desenvolveu um percurso artístico muito particular, não hesitando em abraçar projectos arrojados e únicos: em 1998, dirigiu a Turandot em Pequim, numa produção deslumbrante que foi filmada por Zhang Yimou; em 1999, dirigiu a 2.ª Sinfonia de Mahler, «Ressurreição», no ex-campo de concentração de Buchenwald, em Weimar. Mas é a sua ligação a Wagner que o traz para esta página: de facto, em 2008 dirigiu um Anel do Nibelungo impressionante, em colaboração com Carlos Padrissa, dos La Fura Dels Baus, produção que teve continuidade no Tannhäuser que se apresentou este ano, em Abril, no Alla Scala, e que já apresentei aqui.
Esta produção do Anel merecerá uma análise mais detalhada quando conseguir ter acesso ao DVD mas, para já, aqui ficam alguns excertos dignos de nota, valha-nos o YouTube! É uma espécie de trailer do produto...
Esta produção do Anel merecerá uma análise mais detalhada quando conseguir ter acesso ao DVD mas, para já, aqui ficam alguns excertos dignos de nota, valha-nos o YouTube! É uma espécie de trailer do produto...

- Este artigo foi publicado na extinta revista da Associação Portugal/RDA. O autor era um wagneriano especial e único: João de Freitas Branco.
- ( o meu colega e amigo Vítor Santos teve a gentileza de me ceder esta preciosidade e enviar-me todo o artigo). Conto, com mais tempo, aqui citar excertos deste artigo...
quinta-feira, 22 de abril de 2010

A paixão de Fantin-Latour pela música, no geral, e pela música de Wagner, em particular, foi uma das fontes inspiradoras da sua obra, o que o levou a realizar uma série de obras alegóricas, a partir de fontes musicais que se convertem em imagens. Richard Wagner esteve no centro destes interesses do pintor. Aqui se reproduz O Ouro do Reno, 1888, óleo sobre tela, Hamburg, Kunsthalle.
A obra é inspirada no maravilhoso início de O Ouro do Reno, onde marcam presença as ninfas do Reno e o anão Alberich.
Outro wagneriano que muito aprecio: Henri Fantin-Latour
, pintor de origem francesa ( 1836-1904). A obra intitula-se Cena de Tannhäuser
, pintor de origem francesa ( 1836-1904). A obra intitula-se Cena de Tannhäuser1864, óleo sobre tela. Encontra-se no Museu de Arte de Los Angeles.
Fantin-Latour tem obra na colecção Gulbenkian e, certamente, lembramo-nos da recente retrospectiva que aí lhe foi dedicada...
Milano. Alla Scala in scena il 'Tannhauser' del maestro Metha e della Fu...
Depoimentos de Zubin Mehta e Carlus Padrissa sobre a produção de Tannhäuser.
Tannhäuser visto por Carlos Padrissa
Esta é uma produção da ópera Tannhäuser, de Richard Wagner, em Abril de 2010 e que teve lugar no Teatro Alla Scala, em Milão. Há um artigo sobre a produção no site no Teatro. A colaboração entre o maestro Zubin Mehta e Carlos Padrissa dos La Fura dels Baus foi curiosíssima: a encenação transportou a ópera para um ambiente indiano e parece que um sector do público do Alla Scala não gostou da inclusão de coreografias bollywoodescas no concurso de cantores em Wartburg, entre outras ousadias que incluíam a a apresentação de linguagens associadas ao vídeo. Mas Padrissa viu na espiritualidade dos peregrinos das margens do Ganges ressonâncias da espiritualidade medieval, captando, igualmente, o cromatismo intenso do traje oriental, associou-o à India moderna, incluíndo, ainda, outros parênteses e interpretações relacionados com a actualidade. Enfim, entre nós , creio que tais ousadias também não seriam perdoadas... Por mim, adorava ter visto, gosto de Mehta, adoro os La Fura ( mesmo que não goste de tudo o que eles fazem...) e, pelo pouco que vi ( e nestas coisas deve ver-se e ouvir-se tudo), parece tratar-se de uma proposta estética bem estimulante...
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