domingo, 18 de abril de 2010

O facto de haver pouca informação relacionada com as encenações de Wieland Wagner, dizem alguns, deve-se a que os documentos foram destruidos pelo irmão Wolfgang quando assumiu a direcção de Bayreuth. O documentário de Tony Palmer, The Wagner Family, divulgado em Portugal por altura do Congresso Internacional Consequences of Wagner (2009), confirma esses dados. Quem também o afirma é Birgit Nilsson, na sua auto-Biografia La Nilsson editada pela Northeastern University Press, em 2007.

Em 1951, quando Bayreuth reabriu, os irmãos Wieland e Wolfgang estavam empenhados em retirar ao espaço a carga política a que ele ficou historicamente associado: tratava-se de criar uma compreensível ruptura com o passado recente.
Em 1951, Wieland produziu um novo Ring e revelou-se rapidamente um intérprete profundo da obra do avõ Richard Wagner. Sob a direcção de Herbert Von Karajan e de Hans Knappertsbusch, a produção ficou célebre.



Wieland ou Wolfgang? Ou um pouco de cada?


Eis o tema para para a próxima reflexão: a encenação vista pelos dois netos de Richard Wagner

sábado, 17 de abril de 2010


A narrativa bílica apresenta Sansão como um herói que venceu várias campanhas contra os filisteus ( Livro dos Juízes) e, como convém à genealogia heróica, nasceu de uma mulher em circunstâncias extraordinárias. Lembremos outras figuras bíblicas e a genealogia de muitos heróis ( Joseph Campbell, The Hero with a thousand faces). Neste caso, a mulher já não podia conceber e foi visitada pelo Anjo do Senhor, conferindo um carácter transcendental ao nascimento de Sansão, um verdadeiro super-herói, cujo poder vem de Deus e da natureza, apresentando características populares muito acentuadas, de que se destaca um carácter selvagem que se constrói sobre um fio da navalha e que será implacavelmente destruído pela mais letal das tecedeiras de fios e armadilhas: Dalila.
É esta trama que está na base de Samson and Delilah ( Cecil B. DeMille, 1949)

Siegfried- Nothung! (Siegfried forges his sword)

Hoje é dia de anos de Siegfried Jerusalem,grande tenor heróico wagneriano, que nasceu em Oberhausen em 17 de Abril de 1940. Estudou em Essen. Entre 1961 e meados dos anos 70 foi instrumentista em orquestras e tocou fagote na orquestra Sinfónica da Rádio de Sttutgart. Entretanto começou a estudar canto. Em 1975-76, substituiu à última hora o tenor Franco Bonisolli, numa produção televisiva de «O Barão Cigano», iniciando então uma carreira fulgurante que o levou ao Festival de Bayreuth em 1976.
Não posso deixar de lhe prestar uma pequena homenagem, por isso aqui o deixo numa das suas interpretações maiores: o papel de Siegfried, na ópera Siegfried, do querido mestre. Esta passagem integra a famosa e histórica produção Barenboim-Kupfer, em Bayreuth.

sexta-feira, 16 de abril de 2010




Foto das filmagens: DeMille, Claudette Colbert ( Popeia) e Fredric March (Marcus) e Poster do filme.

Nos créditos de abertura de O Sinal da Cruz, realizado por DeMille em 1932, o público é convidado a reconhecer e rememorar o seu conhecimento prévio do tema do filme a partir de dois elementos visuais carregados de simbologia, que se sobrepõem e que serão importantes para as oposições que se jogam no filme: a águia e a cruz. Esse processo de rememoração dos símbolos é fundamental, porque é a partir dessas primeiras referências que o espectador inicia o processo interno de confronto com os seus próprios ícones e imagens armazenadas ou enterradas no inconsciente, consituindo o efeito de detonação a que Carl Gustav Jung se referiu em O Homem e os Seus Símbolos. Desencadeado o processo de reconhecimento, é o espectador que lê e faz a imagem.


O colóquio já se realizou. Aguardamos a publicação do resumo de intervenções.
A iniciativa foi organizada pelo CESEM e a organização científica coube a Paulo Ferreira de Castro, Gabriela Cruz e David Cranmer.
Houve duas interessantíssimas projecções de filmes:
Carl Froelich - The Life of Richard Wagner (1913)
Tony Palmer - The Wagner Family (2009)

Carmen Habanera (vaimusic.com)

A lendária Cantora Geraldine Farrar, do Metropolitan, foi uma Carmen incandescente em palco e no ecrã, representando de forma única a personagem da peça de Prosper Mérimée. No filme de DeMille, realizado em 1915, Farrar foi coadjuvada por Wallace Reid ( Don José) e Pedro de Cordoba ( Escamillo). A ópera desempenhou um papel de destaque no desenvolvimento da linguagem fílmica de Cecil B. De Mille e a contratação de uma cantora de ópera de renome para desempenhar o papel principal representou uma forma de credibilizar a linguagem do cinema numa altura em que ela ainda estava a dar os primeiros passos, entre outros aspectos.

A banda sonora é uma recriação da partitura de Hugo Riesenfelds para a estreia do filme de 1915 sob a direcção do musicólogo e director Gillian B. Anderson, com a London Philarmonic Orchestra. Como bonus, em algumas das cenas ouve-se a interpretação de Farrar.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Filmagens de «Cleopatra» ( 1934), com Claudette Colbert
Como em relação a toda a obra de DeMille, o cuidado na encenação e cenografia são extremos, naquilo que era uma marca distinta da Paramount Pictures. Repare-se na composição quase pictórica do plano em que Sansão entra na tenda de Dalila, com dois planos distintos, um mais aproximado, outro mais recuado, criando aproximações e afastamentos. Trata-se de uma citação da pintura racional do renascimento, que DeMille estudou apaixonadamente...

São inesquecíveis as primeiras imagens e sons de Sansão e Dalila, filme que DeMille realizou em 1949: apresenta-se toda uma concepção de História que percorre as estéticas do sublime e do pitoresco...
A cena é dotada de uma força cinematográfica tão grande que não admira que Martin Scorsese tenha feito referência a este extraordinário início de filme...

Bayreuth Festspielhaus - behind the scenes

Wilhelm Richard Wagner (Leipzig, 22 de Maio de 1813 - Veneza, 13 de Fevereiro de 1883)
Cecil B. DeMille (Ashfield, Massachusetts, 12 de Agosto de 1881 - California, 21 de Janeiro 1959)
Este blogue é dedicado a Richard Wagner e a Cecil B. DeMille, e criei-o para poder escrever sobre eles: ao primeiro, admiro-o, quanto ao segundo, estou a trabalhar sobre ele.

Bem-vindos ao meu blogue!